Após o lançamento do aclamado álbum de estreia, o auto-intitulado Badlands (1989), a banda começou a trabalhar em seu segundo disco. No entanto, o processo de criação de
Voodoo Highway foi marcado por tensões internas, principalmente entre o vocalista Ray Gillen e o guitarrista Jake E. Lee. Apesar disso, o álbum foi finalizado e lançado pela Atlantic Records.
Voodoo Highway manteve o estilo bluesy e pesado do primeiro álbum, mas com uma abordagem mais experimental. As músicas apresentam uma variedade de influências, desde hard rock clássico até elementos de soul e blues. A voz poderosa e emotiva de Ray Gillen continuou a ser um destaque, enquanto Jake E. Lee demonstrou sua versatilidade como guitarrista.
Se você é fã de hard rock com uma pegada bluesy, Voodoo Highway é um álbum que vale a pena explorar!
A abertura do álbum com “The Last Time” já estabelece o tom: riffs pesados, porém cheios de groove, e a voz visceral de Ray Gillen, que transita entre a agressividade e a vulnerabilidade. A música é um soco no estômago, mas com uma melodia cativante que gruda na memória. Essa dualidade entre força e sensibilidade é uma constante ao longo do disco.
“Soul Stealer” segue com um ritmo contagiante, destacando a química entre Jake E. Lee na guitarra e a seção rítmica formada por Greg Chaisson (baixo) e Jeff Martin (bateria). A música é um exemplo perfeito de como o Badlands conseguia mesclar o peso do metal com a alma do blues, criando algo que soava ao mesmo tempo clássico e fresco.
Um dos pontos altos do álbum é “Silver Horses”, uma balada poderosa que mostra o lado mais introspectivo da banda. Gillen entrega uma performance vocal emocionante, enquanto Lee complementa com solos cheios de feeling. A música é melancólica, mas sem cair no clichê, mantendo uma profundidade lírica que ressoa com o ouvinte.
A faixa-título, “Voodoo Highway”, é uma viagem sonora que encapsula o espírito do álbum. Com uma estrutura mais experimental, a música flui entre momentos pesados e passagens mais atmosféricas, mostrando a ambição da banda em expandir seus horizontes musicais. A letra, cheia de imagens vívidas e simbolismo, convida a reflexões sobre jornadas pessoais e busca por significado.
Outro destaque é “Fire and Rain”, que traz um riff marcante e uma energia contagiante. A música é um exemplo de como o Badlands conseguia ser pesado sem perder a musicalidade, algo que muitas bandas da época não conseguiam equilibrar tão bem.
No entanto, o álbum não é perfeito. Em alguns momentos, como em “Heaven’s Train”, a produção parece um pouco crua, o que pode ser atribuído às tensões internas e aos problemas com a gravadora. Ainda assim, essa rusticidade acaba adicionando um charme ao disco, reforçando a sensação de que você está ouvindo algo verdadeiro, não polido demais.
“Voodoo Highway” é um álbum que envelheceu bem, justamente por sua honestidade e pela habilidade da banda em criar música que vem do coração. Ray Gillen, com sua voz única e emotiva, deixa um legado impressionante, enquanto Jake E. Lee prova mais uma vez por que é um dos guitarristas mais subestimados de sua geração.
Voodoo Highways é um disco pra ser redescoberto
Em resumo, “Voodoo Highway” é um disco que merece ser redescoberto. Ele não apenas captura a essência do hard rock da época, mas também transcende gêneros, oferecendo uma experiência musical rica e emocional. Para fãs de rock que buscam algo além do óbvio, este álbum é uma jóia escondida que vale a pena explorar.
Embora “Voodoo Highway” não tenha alcançado o mesmo sucesso comercial que o álbum de estreia, ele foi bem recebido pela crítica e pelos fãs de hard rock. Infelizmente, a banda se desfez logo após o lançamento do álbum, devido a conflitos internos e problemas com a gravadora.
Tragicamente, Ray Gillen faleceu em 1993 devido a complicações relacionadas à AIDS, o que impediu qualquer chance de reunir a banda. Apesar de sua curta existência, o Badlands deixou um legado significativo no mundo do hard rock, e Voodoo Highway continua sendo um álbum cult, apreciado por sua autenticidade e qualidade musical.
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