O vocalista e baixista do Rush, Geddy Lee, revelou que diversos músicos demonstraram uma conduta bastante inadequada logo após a trágica perda do lendário baterista Neil Peart, ocorrida em janeiro de 2020. Em declarações publicadas nesta terça-feira, 19, o icônico frontman detalhou como vários profissionais tentaram se autopromover e forçar uma vaga na banda canadense no momento em que ele e o guitarrista Alex Lifeson ainda tentavam processar o luto de seu eterno companheiro de palco.
Em entrevista concedida originalmente à revista Guitar World (transcrição via Loudwire), o músico desabafou sobre a inconveniência dessas abordagens. De acordo com Geddy Lee, a atitude horrível de alguns bateristas gerou um profundo desconforto emocional, contrastando totalmente com a postura de colegas mais próximos, que também estavam profundamente abalados com a partida do virtuoso baterista.
O luto no Rush e o oportunismo na indústria musical
Segundo o vocalista do Rush, as investidas indelicadas partiram de nomes totalmente distantes de seu círculo social mais íntimo. “As pessoas que são próximas a nós – bons amigos que são bateristas bem-sucedidos – jamais sugeririam algo assim, porque eles têm muito respeito, não apenas pelo Neil Peart, mas também por toda a situação”, desabafou Geddy Lee. “Eles também estavam de luto, então não seriam egoístas a ponto de dizer algo tão inapropriado.”
Por outro lado, a avalanche de contatos indesejados incomodou bastante os membros remanescentes em um momento de extrema vulnerabilidade. “Houve muitos outros bateristas que entraram em contato comigo logo após o falecimento do Neil Peart para se autopromoverem, e isso foi extremamente desagradável para mim. Foi um momento de timing completamente inadequado”, concluiu o baixista do Rush.
Neil Peart faleceu aos 67 anos devido a um glioblastoma, um tipo extremamente agressivo de câncer cerebral contra o qual ele lutou em segredo por mais de três anos. A partida do lendário músico parecia colocar um ponto final definitivo na trajetória do trio de rock progressivo, mundialmente reverenciado pelo impacto cultural de álbuns históricos como Moving Pictures e 2112.
O recomeço do Rush e a escolha de Anika Nilles
A perspectiva de voltar a criar e tocar ao vivo mudou de figura em 2022, quando Geddy Lee e Alex Lifeson se reuniram de maneira emocionante para se apresentar no tributo ao saudoso baterista do Foo Fighters, Taylor Hawkins. A sinergia e o desejo de celebrar a história do Rush motivaram a dupla a planejar uma turnê comemorativa de 50 anos de estrada.
Para a difícil missão de assumir as baquetas, os músicos optaram pela talentosa baterista alemã Anika Nilles. “Nós não sabíamos muito bem por onde começar a procurar”, confessou Geddy Lee. “Começamos com a Anika Nilles porque ela havia sido muito recomendada a mim, e eu já tinha pesquisado um pouco sobre o trabalho dela. Adorei a sua energia e seu estilo de tocar bastante diversificado.”
A escolha provou ser certeira logo nos primeiros ensaios conjuntos. De acordo com o líder do Rush, a musicista demonstrou uma sensibilidade artística ímpar, muito além da técnica cirúrgica exigida pelo catálogo do grupo. “Ela trouxe muito para a mesa. Mais do que a sua técnica impecável, mais do que a sua coragem e disposição para se sentar em uma cadeira tão quente quanto aquela, ela trouxe inteligência e uma história”, elogiou o vocalista. Além dela, o experiente tecladista Loren Gold foi recrutado para integrar o time de apoio na turnê comemorativa.
Confira abaixo o primeiro registro ao vivo com a nova formação:
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