Rush: Geddy Lee revela segredo para manter fãs fiéis por 50 anos

Baixista detalha filosofia de trabalho do trio canadense e quase descarte de clássico absoluto
Geddy Lee, Rush.
Geddy Lee. Créditos: Rich Fury/Invision/AP/Shutterstock

O vocalista e baixista Geddy Lee detalhou os segredos por trás da longevidade e da lealdade quase inabalável dos fãs do Rush em uma nova entrevista reveladora divulgada nesta terça-feira, 26. Durante a esclarecedora conversa com o produtor musical Rick Beato, o músico canadense explicou como o trio de Toronto conduziu sua trajetória de cinco décadas pautada no respeito mútuo e na evolução artística contínua, além de revelar uma surpreendente hesitação nos bastidores que quase mudou a história do rock progressivo.

De acordo com o músico de 72 anos, a mentalidade interna sempre foi o motor principal para blindar a confiança do público. Em depoimento publicado originalmente pela Classic Rock, o baixista relembrou o objetivo inicial que compartilhava com o guitarrista Alex Lifeson e o saudoso baterista Neil Peart. Eles queriam que o Rush funcionasse como “a menor orquestra sinfônica do mundo”, uma definição que usavam internamente para equilibrar complexidade técnica e peso.

A filosofia artística e o respeito ao público do Rush

Para Geddy Lee, o segredo para manter uma audiência engajada por tanto tempo reside no compromisso inegociável com a evolução, sem nunca subestimar quem consome a música do trio. Embora as mudanças de direção sonora ao longo da carreira tenham gerado atritos temporários com parte do público, a honestidade artística sempre prevaleceu.

“A cada mudança de estilo, perdíamos alguns fãs, mas ganhávamos outros. Sempre foi uma espécie de troca”, admitiu o músico. “Você tem todos os tipos de fãs. Há aqueles que amam uma música específica e querem que você a toque para sempre. Quando você muda, eles se afastam. Mas existem outros fãs que fazem um investimento diferente; eles nos achavam interessantes e tinham curiosidade de ver para onde iríamos.”

Essa dinâmica de paciência e exploração foi algo que o próprio músico vivenciou em sua juventude como ouvinte de grandes nomes do estilo, citando inspirações como Genesis, Yes, Led Zeppelin, Van der Graaf Generator e The Strawbs.

“Se um disco novo soasse estranho para mim, eu sentia que precisava ter paciência e tentar entender o que eles estavam me dizendo naquele momento. Esses são os melhores fãs que uma banda pode esperar, pois eles vão te perdoar se você sair um pouco do caminho e depois encontrar o rumo de volta. Mas, se você continuar explorando a confiança deles e falhando, não vai durar muito tempo. Eles investem tempo e amor na sua banda. Então, se você está fazendo algo com a promessa de melhorar, é bom que realmente melhore. E nós levávamos isso muito a sério”, completou.

O quase descarte de “Tom Sawyer” do clássico Moving Pictures

Em outro momento surpreendente da entrevista, o baixista revelou que um dos maiores clássicos da história do rock quase ficou de fora de Moving Pictures, o álbum mais bem-sucedido comercialmente do Rush, lançado em 1981. Trata-se da icônica faixa de abertura, “Tom Sawyer”.

Segundo o frontman, o processo de gravação e mixagem da canção foi extremamente exaustivo e cercado de problemas técnicos no estúdio, o que o deixou completamente saturado da música antes mesmo do lançamento oficial do disco.

“Quando terminamos aquela música no estúdio, estávamos muito frustrados. Foi uma composição difícil de fazer, difícil de mixar, e cada etapa do registro foi repleta de problemas. No final, eu estava tão cansado dela que simplesmente não queria colocá-la no disco. Consegue imaginar o quão estúpido isso foi? Tipo, ‘vamos deixar nossa música mais popular fora do álbum!'”, brincou o músico.

Confira abaixo a entrevista completa de Geddy Lee no canal de Rick Beato:

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