Rock in Rio 2026: Mesmo com Avenged Sevenfold, vê-se redução de rock e heavy metal no festival

Foo Fighters surge como único outro headliner de guitarras pesadas em edição de 2026
Avenged Sevenfold e Foo Fighters em frente à logo do Rock In Rio
Avenged Sevenfold e Foo Fighters. Créditos: Reprodução

A organização do Rock in Rio iniciou a venda geral de ingressos para a sua edição de 2026, agendada para ocorrer na Cidade do Rock, no Rio de Janeiro, durante os dias sexta-feira, 4, sábado, 5, domingo, 6, segunda-feira, 7, sexta-feira, 11, sábado, 12 e domingo, 13 de setembro. Entretanto, a revelação do line-up completo reacendeu um debate antigo entre os fãs de música pesada: o visível declínio do espaço reservado ao rock clássico e ao heavy metal nos palcos principais do evento. Com apenas dois dias verdadeiramente dedicados às guitarras distorcidas, a curadoria do festival optou por priorizar gêneros como pop, K-Pop e música eletrônica para garantir o apelo comercial de massa.

Para os entusiastas do metal e do rock alternativo, a programação deste ano se concentra basicamente no primeiro fim de semana. Na sexta-feira, 4, o Foo Fighters assume o Palco Mundo trazendo a turnê de seu elogiado álbum But Here We Are, acompanhado pelas bandas Rise Against, The Hives e Nova Twins. Já no sábado, 5, o foco se volta para a vertente moderna com o headliner Avenged Sevenfold, promovendo o controverso disco Life Is But a Dream…, ao lado de Bring Me The Horizon, Sepultura — em sua turnê de despedida — e do artista mgk. Fora dessas datas, os palcos principais são tomados por nomes pop e eletrônicos, incluindo Stray Kids, Maroon 5, Calvin Harris e Twenty One Pilots.

O espaço reduzido de Foo Fighters e Avenged Sevenfold no Rock In Rio

Essa redução drástica contrasta fortemente com o passado do festival carioca. Em edições emblemáticas de décadas anteriores, o rock pesado ditava a tônica de quase todas as noites. Conforme publicado em análise da Rolling Stone Brasil, a presença de guitarras distorcidas no Palco Mundo atingiu um de seus menores patamares históricos nesta edição de 2026. A escolha de relegar o rock a um nicho específico dentro do próprio evento gerou críticas de fãs mais tradicionais, que alegam descaracterização da marca criada em 1985. A justificativa oficial da organização gira em torno do rejuvenescimento de público e da atração de novas marcas de patrocínio.

Monsters of Rock e Bangers Open Air provam a força financeira do metal

A alegação comum de que o rock pesado “não traz dinheiro suficiente” ou não atrai grandes patrocinadores cai por terra quando observamos o mercado brasileiro de shows, especialmente na capital paulista. Em abril, o festival Monsters of Rock celebrou mais uma edição de sucesso absoluto no Allianz Parque, trazendo gigantes como Guns N’ Roses, Lynyrd Skynyrd e Extreme, esgotando setores inteiros e movimentando milhões de reais em patrocínios corporativos e venda de ingressos com valores que superavam R$ 1.300,00 na pista premium.

No mesmo mês, o Bangers Open Air (antigo Summer Breeze Brasil) reuniu mais de 40 bandas de heavy metal no Memorial da América Latina, atraindo milhares de fãs dispostos a consumir passaportes caros, como o “Bangers Pass”, além de pacotes VIP com open bar e open food. Bandas de metal extremo como Arch Enemy e nacionais como Angra dividiram palcos lotados, evidenciando uma força comercial que ignora as flutuações das paradas de sucesso radiofônicas.

Diferente do público de festivais essencialmente focados em pop ou música eletrônica — que tendem a ser mais sazonais —, o fã de heavy metal possui um padrão de consumo de itens físicos de alta fidelidade. Em entrevista concedida ao portal IgorMiranda, produtores do setor destacam que o público de metal consome muito mais produtos licenciados (camisetas, copos, bonés), alimentos e bebidas dentro do perímetro do show do que a média de outros gêneros.

Portanto, a decisão da produção do Rock in Rio em escantear o metal não é uma questão de viabilidade financeira absoluta, mas sim de escolha de posicionamento de marca. Enquanto festivais especializados abraçam um nicho de alta lucratividade e fidelidade, o gigante carioca prefere apostar na pulverização de público, transformando-se em um parque temático de entretenimento multigênero onde a música pesada, hoje, funciona apenas como um adereço nostálgico.

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