Jethro Tull: ex-tecladista e arranjadora Dee Palmer morre aos 88 anos

Líder Ian Anderson presta tributo em redes sociais, relembrando contribuições históricas da musicista britânica
Dee Palmer
Dee Palmer. Créditos: Reprodução

O cenário do rock progressivo registrou a perda de uma de suas colaboradoras históricas. A compositora, arranjadora e ex-tecladista do Jethro Tull, Dee Palmer, faleceu no último sábado, 13 de junho, aos 88 anos. A informação foi confirmada pelo vocalista e líder do grupo, Ian Anderson, por meio das redes sociais e do site oficial da banda. Dee Palmer morreu em sua residência na região de Shropshire, na Inglaterra, acompanhada por familiares. A causa exata do óbito não foi detalhada pelas fontes oficiais, embora tenha sido relatado que a musicista enfrentava problemas de saúde nos últimos dois anos.

Em comunicado oficial publicado no site jethrotull.com, Ian Anderson manifestou pesar e relembrou a longa trajetória de trabalho conjunto com Dee Palmer. O líder do Jethro Tull informou que, no início deste ano, esteve em contato com a tecladista para planejar um novo projeto de estúdio. A intenção era gravar, com acompanhamento orquestral, a partitura original do balé The Water’s Edge. Essa obra foi composta em 1979 por Dee Palmer (na época creditada sob seu antigo nome, David Palmer), em parceria com o guitarrista Martin Barre e com o próprio Ian Anderson, sendo executada originalmente pela companhia escocesa de balé Scottish Ballet.

“Eu havia concordado em tocar flauta na nova gravação e presumi que o projeto estivesse atrasado, mas ainda em andamento”, declarou Ian Anderson no tributo publicado no portal jethrotull.com. O vocalista recordou aspectos da convivência profissional com a instrumentista, mencionando as discussões sobre arranjos e momentos de descanso durante as turnês realizadas nas décadas de 1960 e 1970.

Dee Palmer consolidou arranjos clássicos no Jethro Tull

Nascida em Hendon, Londres, em 2 de julho de 1937, Dee Palmer obteve formação em composição na Royal Academy of Music, onde recebeu o título de membro honorária em 1994. Sua associação com o Jethro Tull antecedeu em quase uma década sua entrada formal como tecladista oficial de turnê. A cooperação iniciou-se logo no álbum de estreia do grupo, This Was, de 1968, quando elaborou e regeu os arranjos de metais para a canção “Move On Alone”, autoria do guitarrista Mick Abrahams. Ainda naquele ano, ela assinou o arranjo de cordas para o compacto “A Christmas Song”.

Nos anos seguintes, Dee Palmer atuou como arranjadora e maestrina em diversos lançamentos da discografia do Jethro Tull. Suas contribuições orquestrais estão presentes em álbuns como Aqualung, de 1971, WarChild, de 1974, Minstrel In The Gallery, de 1975, e Too Old to Rock ‘n’ Roll: Too Young to Die!, de 1976. Após anos de trabalho nos bastidores dos estúdios, ela foi formalmente integrada à banda em 1976 como segunda tecladista, com a função de reproduzir as complexas seções orquestrais utilizando sintetizadores nos palcos.

Durante seu período como integrante oficial, Dee Palmer gravou os álbuns de estúdio Songs from the Wood, de 1977, Heavy Horses, de 1978, e Stormwatch, de 1979, além do registro ao vivo Bursting Out, de 1978. Sua saída da formação ocorreu em 1980, motivada por uma reestruturação interna durante as sessões do álbum A, trabalho inicialmente planejado por Ian Anderson como um disco solo, mas lançado sob o nome do Jethro Tull por exigência da gravadora. O episódio resultou na dispensa de grande parte da banda da época, incluindo Dee Palmer e o tecladista John Evan.

Projetos paralelos e transição de gênero de Dee Palmer

Após deixar o Jethro Tull, Dee Palmer uniu-se a John Evan para formar o conjunto de curta duração Tallis, que buscava fundir elementos do rock com a música clássica barroca. Posteriormente, a musicista focou na produção de releituras sinfônicas de repertórios de grandes nomes do rock progressivo e pop mundial. Ela assinou arranjos para álbuns orquestrais dedicados às obras de Genesis, Pink Floyd, Yes, The Beatles e Queen, além de um tributo sinfônico ao próprio repertório do Jethro Tull. Em janeiro de 2018, ela lançou seu único álbum solo de estúdio, intitulado Through Darkened Glass, que contou com a participação de seu ex-colega de banda, o guitarrista Martin Barre.

Em 1998, a musicista tornou pública sua transição de gênero, assumindo a identidade de Dee Palmer. Ela declarou ter nascido com uma condição de ambiguidade genital e enfrentado disforia de gênero desde a infância. Em entrevistas publicadas em veículos especializados, como a revista britânica Classic Rock, ela mencionou que a decisão de assumir sua real identidade se consolidou após a perda de sua esposa Maggie, falecida em 1995.

O legado técnico de Dee Palmer como arranjadora e instrumentista foi amplamente destacado por pesquisadores e fã-clubes oficiais. Sua habilidade em integrar a sofisticação da composição acadêmica às estruturas dinâmicas do rock progressivo continua sendo apontada como um dos pilares da identidade sonora clássica do Jethro Tull.

Confira abaixo o áudio oficial de “Songs from the Wood”, clássico do Jethro Tull que conta com a marcante presença dos arranjos e teclados de Dee Palmer:

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