Ozzy Osbourne e astros do metal encararam empregos inusitados antes da fama

De abatedouros a necrotérios, descubra como grandes nomes da música pesada pagavam as contas no início de suas carreiras
Ozzy Osbourne
Ozzy Osbourne. Créditos: Reprodução

O caminho para o estrelato no universo da música pesada raramente é fácil ou imediato. Revisitamos o passado profissional de grandes ícones da música. Antes de assinarem contratos milionários, lotarem estádios ao redor do mundo e moldarem a história do rock e do heavy metal, essas figuras precisaram garantir o sustento através de trabalhos comuns e, muitas vezes, excêntricos. O contraste entre os palcos gigantescos da atualidade e o batente diário do passado revela um aspecto prático da construção de suas carreiras.

Ozzy Osbourne e o trabalho sangrento antes do Black Sabbath

Antes de assumir os vocais do Black Sabbath e ganhar notoriedade global, Ozzy Osbourne experimentou diversas ocupações na cidade industrial de Birmingham, na Inglaterra. Após deixar a escola aos 15 anos, o músico trabalhou em canteiros de obras e como afinador de buzinas em uma fábrica de automóveis da região. No entanto, a ocupação mais documentada de sua juventude ocorreu em um abatedouro local.

A função primária de Ozzy Osbourne envolvia abater e limpar carcaças de animais. A realidade repetitiva daquele ambiente industrial durou quase dois anos, período que antecedeu seu encontro com os músicos Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward. Juntos, eles formariam o grupo que ajudaria a estabelecer as bases musicais e estéticas do heavy metal no final dos anos 1960 e início da década de 1970.

Lemmy Kilmister nos bastidores com Jimi Hendrix

O fundador e baixista do Motörhead, Lemmy Kilmister, teve uma vivência intensa nos bastidores da indústria musical muito antes de se tornar um protagonista (frontman). No final da década de 1960, após se mudar para Londres, Lemmy Kilmister conseguiu um emprego como roadie para o guitarrista norte-americano Jimi Hendrix.

Durante os meses em que acompanhou a turnê pelo Reino Unido, suas responsabilidades incluíam o transporte de amplificadores pesados, a montagem do palco e a afinação dos instrumentos antes das apresentações. A posição de assistente técnico forneceu a Lemmy Kilmister uma compreensão direta sobre a logística das turnês profissionais e a dinâmica da estrada, conhecimentos que ele aplicou diretamente na fundação e gestão do Motörhead anos depois.

Tom Araya financiou o início do Slayer no hospital

No início dos anos 1980, a cena thrash metal da Bay Area californiana estava em processo de formação, e a gravação de material de estúdio exigia recursos financeiros substanciais que as bandas iniciantes não possuíam. Tom Araya, vocalista e baixista do Slayer, encontrou a solução no setor de saúde. O músico concluiu um curso técnico e trabalhou formalmente como terapeuta respiratório em um hospital na Califórnia.

Durante seus turnos, que frequentemente ocorriam de madrugada, ele atendia pacientes com condições respiratórias agudas. O salário recebido por Tom Araya nessa função médica foi diretamente utilizado para custear a maior parte das sessões de gravação de Show No Mercy, o álbum de estreia do Slayer, lançado originalmente em 1983. O disco foi o ponto de partida comercial da banda no mercado norte-americano.

Peter Steele e a limpeza urbana com o Type O Negative

O vocalista e baixista Peter Steele, líder do Type O Negative, manteve uma forte conexão com a classe trabalhadora da cidade de Nova York durante o processo de ascensão de sua banda. Antes e mesmo durante os primeiros anos de fama internacional do grupo, o músico trabalhava como funcionário público no Departamento de Parques e Recreação de Nova York.

As atribuições de Peter Steele incluíam dirigir caminhões de lixo, operar equipamentos pesados e atuar na manutenção geral de praças e parques no distrito do Brooklyn. Em entrevistas da época registradas por publicações como a Metal Hammer, o músico frequentemente relatava que via o emprego na prefeitura como uma garantia de estabilidade financeira, encarando a música inicialmente como um projeto secundário que acabou tomando proporções globais.

Jonathan Davis preparava corpos antes de fundar o Korn

A abordagem sombria e visceral presente no som do Korn possui raízes literais na experiência profissional de seu vocalista. Antes de consolidar a banda em Los Angeles, Jonathan Davis ingressou na San Francisco School of Mortuary Science. Após concluir seus estudos na instituição, ele passou a trabalhar formalmente como embalsamador em uma funerária e, posteriormente, como assistente técnico no necrotério do Condado de Kern, na Califórnia.

A rotina de trabalho de Jonathan Davis consistia na preparação técnica de cadáveres para velórios e no auxílio a médicos legistas durante autópsias. A vivência diária no necrotério influenciou diretamente o conteúdo lírico do disco homônimo Korn, lançado em 1994. A experiência foi canalizada para o processo de composição de faixas que se tornaram marcas registradas do nu metal.

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