Quiet Riot, Aerosmith e Mötley Crüe: hits do Hard Rock que são covers

Descubra a origem de faixas consagradas da música pesada mundial que originalmente pertenciam a outros artistas e ganharam novas versões
Quiet Riot, Motley Crue e Aerosmith Albuns
Mental Health (Quiet Riot), Motley Crue (Theatre of Pain) e Aerosmith (Get A Wing). Crédito: Reprodução

A história da música pesada demonstra que diversos hinos do gênero possuem origens diferentes do que o grande público imagina. Historicamente, composições que definiram carreiras e alavancaram vendas milionárias de discos são, na realidade, reinterpretações de obras criadas por outros compositores em décadas anteriores. O processo de recriação dentro dos estúdios permitiu que faixas obscuras ou sucessos restritos a determinados mercados ganhassem uma nova roupagem estrutural, consolidando o repertório de grupos de grande porte.

O expediente de regravar canções de terceiros não diminui o impacto das bandas, mas ilustra a capacidade de adaptação e arranjo de cada formação. Abaixo, estão listados cinco casos de músicas mundialmente famosas no Hard Rock e Heavy Metal que nasceram nas mãos de outros músicos.

O domínio do Quiet Riot com o sucesso de “Cum On Feel The Noize”

A faixa “Cum On Feel The Noize” é amplamente reconhecida como o motor que impulsionou o álbum Metal Health (1983) ao topo das paradas norte-americanas, marcando a primeira vez que um disco de Heavy Metal atingiu o primeiro lugar na Billboard 200. No entanto, a composição original pertence à banda britânica Slade, que a lançou em 1973.

Nos bastidores da gravação de Metal Health, o vocalista Kevin DuBrow se opôs ativamente à ideia de registrar a música. Segundo relatos da época documentados em publicações especializadas, os membros do Quiet Riot tentaram sabotar a performance no estúdio tocando de forma desleixada para que o produtor descartasse o take. A estratégia falhou, a gravação foi aprovada e a versão cover se tornou o maior sucesso comercial da história do grupo.

O impacto de Joan Jett & The Blackhearts com “I Love Rock ‘n’ Roll”

O álbum I Love Rock ‘n Roll (1981) transformou a carreira de Joan Jett, mas a faixa-título não é de sua autoria. A música foi escrita por Alan Merrill e Jake Hooker, integrantes da banda The Arrows, sendo lançada originalmente em 1975. A composição foi concebida como uma resposta direta à música “It’s Only Rock ‘n Roll (But I Like It)”, do The Rolling Stones.

Joan Jett descobriu a canção durante uma turnê na Inglaterra em 1976, quando ainda tocava com o The Runaways. Após gravar uma primeira versão ao lado de integrantes do Sex Pistols que não obteve repercussão comercial, ela regravou a faixa anos depois com sua banda de apoio, The Blackhearts. A nova versão alcançou o primeiro lugar na Billboard Hot 100 e permaneceu na posição por sete semanas consecutivas.

O resgate feito pelo Mötley Crüe no álbum Theatre of Pain

O Mötley Crüe precisava de um single de forte apelo comercial durante a produção do disco Theatre of Pain (1985). A escolha recaiu sobre “Smokin’ In The Boys Room”, uma faixa que já havia atingido a terceira posição nas paradas americanas em 1973 através de seus criadores originais, a banda Brownsville Station.

A versão do Mötley Crüe trouxe o peso característico do Hard Rock da década de 1980, aliado a um videoclipe de alta rotação na MTV. A estratégia comercial funcionou, e o cover se tornou o primeiro hit do grupo a entrar no Top 40 da Billboard, garantindo o sucesso do álbum em um período de transição musical para o quarteto de Los Angeles.

A metamorfose do Aerosmith no clássico “Train Kept A-Rollin'”

Presença obrigatória nos shows do Aerosmith há cinco décadas, “Train Kept A-Rollin'” possui uma linhagem extensa. A faixa foi registrada inicialmente em 1951 pelo músico de R&B Tiny Bradshaw. Posteriormente, em 1965, o The Yardbirds transformou a canção introduzindo guitarras distorcidas, formato que serviu de molde para as futuras gerações do Rock.

O Aerosmith incluiu sua interpretação no álbum Get Your Wings (1974). A produção de estúdio dividiu a faixa em duas partes: uma simula uma apresentação ao vivo com ritmo mais cadenciado, enquanto a segunda metade acelera o andamento. Documentários e biografias da banda apontam que músicos de estúdio auxiliaram na gravação das guitarras dessa versão definitiva, que até hoje figura no repertório ao vivo do grupo.

A estreia explosiva do Van Halen com “You Really Got Me”

Quando o Van Halen lançou seu álbum de estreia homônimo, Van Halen (1978), o primeiro single escolhido para apresentar a banda ao mundo foi “You Really Got Me”. A autoria da música pertence a Ray Davies, principal compositor da banda britânica The Kinks, que lançou a faixa original em 1964.

Enquanto a gravação do The Kinks é creditada por popularizar os acordes de quinta (power chords) no Rock, a versão do Van Halen modernizou a estrutura com o uso extensivo de distorção, andamento acelerado e o trabalho técnico de guitarra de Eddie Van Halen. O arranjo transformou um clássico da Invasão Britânica em um dos pilares fundamentais do Hard Rock norte-americano.

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