O vocalista, guitarrista e produtor Peter Tägtgren, líder do grupo sueco de death metal melódico Hypocrisy, detalhou os motivos por trás dos longos intervalos entre os lançamentos de estúdio da banda. Em entrevista concedida ao jornalista Kacper Dworniczak, do canal Strefa Music Art, O músico explicou que o amadurecimento artístico tornou o processo de composição muito mais criterioso, resultando em um intervalo de oito anos entre o álbum End Of Disclosure, lançado em 2013, e o trabalho mais recente, Worship, de 2021. De acordo com o líder, a busca por originalidade e a rejeição ao comodismo criativo ditam o ritmo atual do conjunto sueco.
O Rigor na Composição e a Identidade do Hypocrisy
Durante a conversa, Tägtgren explicou que, ao longo de uma trajetória de 35 anos, o nível de exigência interna aumentou substancialmente. “Você se torna um pouco mais seletivo e mais exigente com o que escreve. Nada parece bom o suficiente”, revelou o músico (transcrição via Blabbermouth). O produtor rebateu a percepção comum de que os integrantes passam anos seguidos trabalhando ativamente em um novo repertório. Segundo ele, as ideias surgem em momentos específicos de inspiração distribuídos ao longo do tempo. O desafio reside em reunir esses fragmentos de forma coesa, sem pressa para entregar um material que não atenda aos padrões estabelecidos pelo próprio grupo.
O compositor destacou que a preservação do som característico do Hypocrisy é uma prioridade inegociável para a carreira atual. Ele afirmou que a banda batalhou muito para consolidar uma assinatura sonora própria no cenário do metal extremo e que não há interesse em mudar drasticamente essa direção estilística. “Não temos nada a provar e não temos o desejo de mudar e começar a soar como o Depeche Mode ou o Iron Maiden“, declarou, enfatizando o respeito ao legado construído desde os primeiros trabalhos lançados na década de 1990.
A Diferença de Abordagem ao Longo das Décadas
Tägtgren comparou a dinâmica de trabalho atual com o método que utilizava nos primórdios da carreira. Nos anos iniciais de atividade, a velocidade de composição era muito maior, e praticamente todas as ideias musicais criadas eram aproveitadas diretamente nas faixas dos álbuns. “No passado, eu apenas escrevia riff atrás de riff. Era tipo: ‘Ah, ok. Coloque este do lado daquele e do próximo. Ok, tenho uma música’. Você não era tão exigente naquela época. Cada riff escrito se tornava algo no álbum”, relembrou o frontman.
Atualmente, o processo criativo passa por uma filtragem rigorosa, na qual a grande maioria das ideias é descartada para evitar a repetição de fórmulas antigas. “Hoje em dia, você escreve 20 riffs e nenhum deles vai parar no álbum, então é um pouco diferente. Eu poderia simplesmente produzir álbum após álbum de forma rápida, mas isso soaria como repetição. É preciso ter um pouco de sutileza”, pontuou o músico. O vocalista também mencionou que a motivação e os estímulos externos desempenham um papel crucial no andamento das gravações. “Às vezes, leva anos para você se motivar a fazer outro álbum. Não é uma coisa única. Se ninguém pressionar, nada acontece”, concluiu.
A Evolução Sonora e o Legado Sueco
Fundado originalmente como um projeto de um homem só por Peter Tägtgren após seu retorno dos Estados Unidos para a Suécia no início dos anos 1990, o Hypocrisy rapidamente evoluiu do death metal tradicional de lançamentos como Penetralia e Osculum Obscenum para uma abordagem muito mais melódica e atmosférica. Álbuns clássicos como The Fourth Dimension e Abducted estabeleceram a sonoridade característica da banda, incorporando teclados, andamentos mais cadenciados e letras focadas em ficção científica, teorias de conspiração e abduções alienígenas.
Essa evolução foi consolidada ao longo de lançamentos subsequentes, incluindo o aclamado Virus, de 2005. Ao longo de mais de três décadas, a banda se firmou como um dos pilares do death metal melódico sueco, influenciando gerações de músicos do gênero extremo. Além de liderar o Hypocrisy, Peter Tägtgren é reconhecido por sua atuação como produtor musical de destaque no Abyss Studio e por comandar o projeto de metal industrial Pain, além de ter integrado o duo Lindemann ao lado de Till Lindemann (Ramstein) e fundado o projeto de death metal The Abyss.
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