Angra anuncia relançamento remasterizado do álbum Holy Land em formato de CD físico

Edição de 30 anos do segundo disco de estúdio chega ao mercado com material gráfico exclusivo para colecionadores, luva slipcase, obi e pôster
Angra
Angra. Créditos: Divulgação

A gravadora Voice Music confirmou o lançamento de uma edição especial de 30 anos do álbum Holy Land, o segundo trabalho de estúdio do Angra. O material, que chega ao mercado na segunda-feira, 13 de julho, estará disponível em formato de CD físico. A nova prensagem conta com áudio totalmente remasterizado e um pacote gráfico voltado para o nicho de colecionadores, incluindo capa acrílica com slipcase, obi de proteção, um encarte recheado de fotografias da época e um pôster exclusivo nas dimensões de 48 x 36 centímetros.

Angra - CD Holy Land

O conceito histórico por trás de Holy Land e a produção internacional

Lançado originalmente no ano de 1996, Holy Land sucedeu a estreia do grupo no mercado fonográfico com o disco Angels Cry. Para este segundo registro, o Angra optou por um caminho conceitual. A narrativa do álbum é centrada no período das grandes navegações e na chegada dos exploradores portugueses ao território sul-americano, especificamente o Brasil, durante o século XVI. Essa temática guiou não apenas as letras das composições, mas também toda a estruturação instrumental da obra, que demandou intensa pesquisa histórica e musical prévia.

Durante a década de 1990, o cenário do heavy metal global passava por transformações profundas, com o avanço de vertentes mais extremas, nu metal e do grunge. Nesse contexto, a proposta do Angra apostou no virtuosismo técnico aliado à riqueza cultural brasileira. A banda utilizou instrumentos regionais autênticos, como berimbau, tamborim e atabaques, captados de forma orgânica para garantir a veracidade das percussões que se misturariam posteriormente à distorção das guitarras e aos arranjos clássicos.

O processo de gravação e mixagem foi dividido entre estúdios localizados no Brasil e na Alemanha. A produção ficou a cargo da dupla Charlie Bauerfeind e Sascha Paeth, nomes que estabeleceram uma longa parceria técnica com a banda nos anos seguintes. A intenção de gravar em dois continentes foi garantir o padrão de captação de áudio da indústria europeia, mantendo o controle e a dinâmica das captações percussivas executadas em solo sul-americano, resultando na sonoridade híbrida que marca o disco.

Sucesso comercial, Disco de Ouro no Japão e a formação clássica

A recepção do mercado asiático foi um dos principais propulsores do ciclo de divulgação da obra. Mantendo o histórico positivo estabelecido no lançamento anterior, o Angra atingiu novamente a marca de Disco de Ouro no Japão. As vendas em território japonês ultrapassaram a cota de 100 mil cópias físicas comercializadas, consolidando o grupo como o principal exportador da música pesada brasileira no exterior naquele período específico, dividindo as atenções do cenário mundial com o Sepultura.

A formação responsável por gravar o disco é referenciada nos registros de imprensa e pelos fãs como o line-up clássico da banda. As linhas vocais, arranjos de piano e orquestrações foram registradas pelo músico Andre Matos. O trabalho de guitarras foi dividido entre Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt, enquanto a cozinha rítmica ficou sob a responsabilidade de Luis Mariutti no contrabaixo e Ricardo Confessori na bateria. Esta união técnica estruturou arranjos de alta complexidade em faixas que integram o repertório de shows do grupo até os dias atuais.

Detalhes da pré-venda e análise da estrutura das faixas

A estrutura musical do registro guia o ouvinte através de diferentes andamentos. A introdução orquestrada “Crossing”, composta pelo italiano Giovanni Pierluigi da Palestrina, abre caminho para a velocidade técnica de “Nothing To Say”, sustentada por riffs complexos. Em seguida, “Silence and Distance” mescla piano clássico com andamentos pesados. A obra atinge seu ápice estrutural na épica “Carolina IV”, faixa mais longa do disco que integra coros grandiosos, percussão tribal intensa e solos velozes de guitarra.

Além dos destaques iniciais, a metade final do registro apresenta a trinca composta por “The Shaman”, “Make Believe” e “Z.I.T.O.”. A primeira foca em ritos indígenas e utiliza vocalizações percussivas. “Make Believe” foi selecionada para gravação de videoclipe promocional na época, garantindo presença na grade televisiva especializada. Já “Z.I.T.O.” retomou o ritmo característico do power metal acelerado. Na sequência, “Deep Blue” explora texturas densas e lentas, conduzindo a atmosfera para o encerramento em formato acústico de “Lullaby For Lucifer”.

Os consumidores que desejam adquirir a reprensagem de 30 anos já podem realizar a compra de forma antecipada. A distribuição informou que o estoque está disponível através do e-commerce da Black Rock Store. Conforme registrado no release oficial enviado pela Voice Music, o foco do projeto é celebrar a permanência histórica de um álbum que serve como referência para instrumentistas do gênero.

Em um mercado atualmente dominado pelos serviços de streaming, a estratégia de lançar mídias físicas em formato de luxo atende à demanda específica do público do metal, que mantém hábitos ativos de colecionismo. O acréscimo do obi — a tradicional tira lateral de papel que envolve capas de discos no comércio fonográfico do Japão — serve como um elemento estético que conecta o item ao histórico de vendas asiático da banda.

Confira abaixo o áudio de Holy Land, disponibilizado via Spotify, e relembre o trabalho sonoro do disco:

Formação que gravou o álbum:

  • Andre Matos — vocal, teclados e arranjos orquestrais
  • Kiko Loureiro — guitarra e vocais de apoio
  • Rafael Bittencourt — guitarra e vocais de apoio
  • Luis Mariutti — baixo
  • Ricardo Confessori — bateria e percussão

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