O Deathgeist desembarca em Belo Horizonte, Minas Gerais, no sábado, 1 de agosto, para encabeçar a primeira edição do festival Zona Thrash. O evento celebra a força do underground local e foca exclusivamente nas vertentes mais extremas da música pesada, contando também com a presença das bandas Dunkell Reiter (Belo Horizonte), Tryout (Belo Horizonte), Payback (Belo Horizonte), Cranial Crusher (São Bernardo do Campo) e Sentence (Belo Horizonte).
Após um período intenso focado no lançamento do álbum Underworld e uma bem-sucedida turnê pelo continente europeu, o grupo paulista retorna à capital mineira. Historicamente conhecida como um dos grandes berços do metal mundial, a cidade recebeu o quarteto no final do ano passado durante o festival Brutal Devastation. No entanto, enquanto aquela apresentação focou em faixas clássicas e no disco Procession of Souls, o novo show promete entregar pelo menos cinco músicas inéditas, além de toda a energia absorvida nos palcos internacionais.

Em entrevista exclusiva ao Casal Metal, Adriano Perfetto (vocal e guitarra) e Maurício “Cliff” Bertoni (Baixo) detalharam a transição desde a época do Bywar, as novas influências sonoras, o atual cenário de consumo de videoclipes e os bastidores de sua consagração na Europa.
O surgimento do Deathgeist e a rápida aceitação do público
Casal Metal: A banda foi fundada após a saída do Bywar. Como foi o processo de transição e vocês esperavam um impacto tão imediato logo no primeiro trabalho homônimo de 2017?
Perfetto: “Para falar a verdade, eu não esperava que o pessoal fosse curtir tão rápido. Por conta do Bywar, eu achava que muita gente iria encarar como uma cópia. Tentei dar uma mesclada e uma inovada para soar um pouco diferente. Foi surpreendente ver que a galera abraçou a pegada do Deathgeist imediatamente. O primeiro álbum foi uma coisa muito rápida; nos juntamos para ensaiar, no mesmo ano finalizamos a gravação e, no ano seguinte, já estávamos tocando praticamente todo fim de semana de 2018. Fizemos aquele circuito de estar em todos os lugares fazendo som. Essa receptividade nos deixou tão empolgados que, em 2019, já mandamos o segundo disco.”
A evolução sonora presente no álbum Underworld
Casal Metal: A banda resgata o espírito do Thrash Metal dos anos 80, mas com um ataque moderno. Qual é o maior desafio para equilibrar essa nostalgia com as novas ideias apresentadas em Underworld?
Perfetto: “A gente sempre tenta trazer alguma coisa nova para sair da mesmice. “
Cliff: “O Underworld tem essa concepção. Tem muita coisa de heavy metal tradicional, partes mais cadenciadas, uso de teclados e até uma primeira balada nossa. Quando comentamos isso, algumas pessoas estranham, acham que mudamos totalmente. Mas não é isso, nós estamos agregando. É um toque a mais no trabalho.
Perfetto: A essência do thrash rápido continua lá, porque é o que sabemos fazer de melhor, mas acrescentar essas variações revigora o som. Cada álbum da nossa discografia reflete uma fase da nossa vida e inclui influências de tudo o que curtimos, seja power metal, death metal ou black metal.”
O desafio dos videoclipes na era das redes sociais
Casal Metal: Recentemente o single “Invisible Abyss” ganhou um videoclipe. Como vocês enxergam a produção e o consumo desse tipo de material hoje em dia?
Cliff: “O clipe não deixa de ser um pacote e uma continuação do álbum, ajuda a mostrar a nossa cara. Mas percebemos nitidamente que a galera tem buscado muito pouco os videoclipes.”
Perfetto: Sempre achamos que o nosso maior meio de divulgação seria o YouTube, mas hoje parece que o público se acostumou com vídeos curtos, como Reels e Stories. Você lança um vídeo de cinco minutos e muita gente não tem paciência para assistir. É um investimento alto que, às vezes, não compensa em números para bandas do underground. Muitas bandas estão investindo em vídeos curtos de ensaio ou até usando Inteligência Artificial. As coisas estão mudando a cada semana. Ainda faremos mais um vídeo para o Underworld, porque faz parte do pacote de lançamento, mas a dinâmica mudou muito.”
Cliff: “As coisas estão mudando. Você percebe, semana a semana, mês a mês, que hoje o pessoal está usando muita IA (Inteligência Artificial) nos clipes. Uma coisa que, há cerca de um ano, a gente nem sacava, hoje já é comum: muitas bandas estão lançando clipes com IA. Então, dá para ver que as coisas parecem mudar a cada semana, a cada mês.”
A narrativa de Underworld: do horror cósmico às lendas egípcias
Casal Metal: O conceito visual e as letras de vocês flertam com o horror e o caos humano. Como esses temas se aprofundaram na narrativa do novo disco?
Perfetto: “Isso já vinha da época do Process of Souls. Pessoalmente, gosto muito de horror cósmico, ficção científica e autores como Edgar Allan Poe e H.P. Lovecraft, todo esse tipo de literatura me influencia demais na hora de escrever. No nosso processo de composição, a música funciona como a trilha sonora daquilo que você está cantando. A faixa-título ‘Underworld’, por exemplo, por ter uma escala mais oriental e árabe, pedia um tema sobre a mitologia egípcia, então falamos sobre Osíris. Já a música ‘Mind Games’ fala sobre manipulação, sobre pessoas que entregam a confiança de suas vidas a ‘coaches’ espirituais, que às vezes a gente nem sabe até que ponto aquela pessoa está habilitada pra trabalhar com isso, e que na verdade são impostores. Pegamos histórias que curtimos ou temas interessantes e transformamos na mensagem da música.”
A consagração do Deathgeist nos palcos da Europa
Casal Metal: Esse foi um ano bem agitado pro Deathgeist né, foram pra quantos países já?
Perfetto: “Fomos para seis países, Alemanha, Hokanda, Bélgica, Portugal, França e Espanha.”
Cliff: “Foi bem legal. Eu até comento com o pessoal: cara, é muito legal você chegar em alguns lugares e ver isso. Que nem o Adriano comentou, a gente estava tocando e um cara chegou e falou: ‘Pô, cara, vocês não tocaram aquela música tal!’. Quer dizer, os caras estão ligados, né? Isso pra gente é muito gratificante, saber que a pessoa lá do outro lado pediu a música, falou o nome dela. A gente não espera, né? Você fica meio: ‘Caramba, o cara pedindo a música e tudo!’. Então, isso pra gente foi bem legal. A gente acabava de tocar, o pessoal vinha querer conhecer a banda, comprar o merchandising… Exatamente, cara, isso é muito bacana.”
Perfetto: “A gente começou os shows na Alemanha, né? Foram quatro shows lá, em quatro cidades diferentes, cara. E, na verdade, pra gente foi um tesão ter começado por lá, porque grande parte das bandas que a gente gosta muito na vida é da Alemanha. Eu lembro até hoje, a gente tava conversando… foi a maior emoção na hora em que passamos na estrada pela cidade do Helloween, cara, que é uma banda que a gente ama. Tipo: ‘Caramba, cara, tamo aqui, meu!’. E chegar, tocar lá e ver a galera curtindo nosso som, velho, e entendendo o que a gente tava querendo passar com o que a gente canta… É muito louco quando você vai tocar num país em que a galera entende o que você tá cantando. É diferente!
O retorno a Belo Horizonte no festival Zona Thrash
Casal Metal: No sábado, 1, vocês retornam a Belo Horizonte. O que o público mineiro pode esperar dessa noite focada exclusivamente no Thrash Metal?
Perfetto: “O diferencial desse show para o Brutal Devastation é que vamos tocar pelo menos cinco sons do Underworld. No ano passado, nossa cabeça estava focada na gravação do estúdio, então fizemos um set mais antigo. Agora, vamos levar a energia do show que fizemos na Europa para o Brasil. Tocar em Belo Horizonte é sempre uma satisfação porque sabemos que ali foi o berço de muita coisa do metal extremo. Dividir o palco com bandas jovens nos mostra que o underground nunca vai morrer.
Casal Metal: Deixa uma mensagem pra galera que vai ao show no dia 1 de Agosto o que podem esperar do Deathgeist?
Cliff: “Compareçam, galera! Vão lá no show que vai ser foda! Vai ser um evento totalmente thrash! E, pô, tocar em BH, mano… a terra onde tudo foi criado, né? A gente sempre fica muito feliz de ir pra BH, porque a gente sabe que ali foi o berço de muita coisa. Então, queria pedir pra galera: compareçam em peso, cara!”
Perfetto: “Chamem até os amigos que não são da cena pra eles passarem a ser do meio do metal. Às vezes o cara tá ali na faculdade, ele é o headbanger, aí de repente ele arrasta mais uns três amigos. Já faz um número maior e os caras passam a gostar também. Então, galera, vamos nessa que o Zona Thrash vai ser foda, só banda foda pra caralho! Vocês podem ter certeza de que a gente vai entregar o nosso melhor ali, a nossa melhor energia, e vocês vão curtir pra caralho! Vai ser legal e, depois, vocês tomam cerveja com a gente lá!”
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