Mike Browning, fundador do Nocturnus e ex-Morbid Angel, morre aos 62 anos

Baterista e vocalista que inseriu sintetizadores no metal extremo teve partida confirmada por gravadora nesta segunda-feira
Mike Browning
Mike Browning. Créditos: Reprodução

O baterista e vocalista norte-americano Mike Browning, pioneiro do death metal da Flórida e um dos membros fundadores do Morbid Angel e do Nocturnus, faleceu na segunda-feira, 13. A confirmação da morte do músico de 62 anos, que residia em Tampa, Flórida, foi divulgada publicamente pela gravadora canadense Profound Lore Records, responsável pelos trabalhos mais recentes do artista com o Nocturnus AD. Embora as causas exatas do falecimento não tenham sido reveladas de imediato, a notícia provocou uma onda de manifestações e homenagens por parte de colegas de profissão e de admiradores de sua histórica trajetória na música extrema.

A presença de Mike Browning no desenvolvimento do death metal norte-americano na década de 1980 é marcada por sua contribuição técnica e estética. Ele ajudou a estabelecer as bases sonoras de um estilo que, na época, começava a se desvincular do thrash metal tradicional em direção a uma sonoridade mais densa e complexa. Ao lado de figuras fundamentais do cenário da Flórida, Mike Browning participou de ensaios e gravações primordiais que ajudaram a pavimentar o caminho para a consolidação internacional do gênero.

A importância histórica de Mike Browning na fundação do Morbid Angel

Antes do Morbid Angel alcançar reconhecimento global com seus primeiros lançamentos oficiais, o grupo deu seus primeiros passos práticos em 1983 sob a liderança de Trey Azagthoth e Mike Browning. O músico fez parte da formação inicial da banda, tendo integrado anteriormente projetos rudimentares como o Ice e o Heretic. Com sua entrada definitiva no posto de baterista e vocalista principal do Morbid Angel, o grupo gravou suas primeiras composições de estúdio, que posteriormente seriam compiladas no álbum Abominations of Desolation.

Embora o material de Abominations of Desolation tenha sido gravado originalmente em 1986, o álbum só foi lançado no mercado de forma oficial em 1991, por meio do selo britânico Earache Records. Músicas como “Abominations” e “Chapel of Ghouls” traziam a performance de Mike Browning na bateria e nos vocais antes de sua saída do grupo, que abriu caminho para a entrada de Pete Sandoval na bateria e de David Vincent nos vocais principais para o debut Altars of Madness. Após deixar a banda principal, o instrumentista teve uma breve passagem pelo Incubus, onde gravou a fita demo God Died On His Knees na data de 1987, solidificando seu nome no circuito underground.

O pioneirismo do Nocturnus com o clássico álbum The Key

Após concluir sua participação no Incubus, Mike Browning fundou o Nocturnus em 1987, com a proposta conceitual de mesclar a agressividade inerente ao death metal com temas voltados à ficção científica, ocultismo e o uso proeminente de teclados e sintetizadores. Essa abordagem sonora inovadora culminou no lançamento de The Key, lançado em 1990 pela gravadora Earache Records. O trabalho é amplamente apontado como o primeiro álbum do gênero a incorporar teclados como elemento central das composições.

Faixas clássicas do álbum, como “Lake of Fire” e “BC/AD”, demonstraram que era viável aliar ficção científica com passagens instrumentais rápidas e guitarras técnicas. No segundo álbum de estúdio, Thresholds, lançado em 1992, o conjunto expandiu sua formação para contar com um vocalista dedicado, permitindo que Mike Browning se concentrasse exclusivamente na execução das linhas de bateria. Contudo, divergências internas resultaram no desligamento do músico do projeto, seguido por disputas legais referentes aos direitos de uso do nome da banda. Isso levou o artista a direcionar sua criatividade para outros projetos, incluindo o Acheron e a formação do After Death no fim da década de 1990.

Nas décadas seguintes, Mike Browning manteve-se ativo no cenário de Tampa, dividindo seu tempo entre a produção musical e interesses pessoais que incluíam o colecionismo de armas medievais e o estudo de egiptologia. Em 2013, o músico estabeleceu o Nocturnus AD, uma nova ramificação artística destinada a dar sequência direta à identidade sonora e temática desenvolvida no início de sua carreira.

Sob suporte da gravadora Profound Lore Records, o Nocturnus AD lançou seu álbum de estreia, Paradox, em 2019, que funcionou como uma continuação temática direta do álbum clássico The Key. Mais recentemente, em 2024, a banda disponibilizou seu último trabalho de estúdio, intitulado Unicursal, que reafirmou a proposta estética do baterista. O Morbid Angel manifestou-se oficialmente por meio de suas plataformas de comunicação social com a seguinte declaração direcionada ao ex-integrante: “Descanse em paz, Mike, obrigado por ajudar a fazer tudo isso acontecer. Nossas condolências à sua família e especialmente à sua filha.”

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