A guitarrista e vocalista Prika Amaral, fundadora e principal mentora da banda de thrash e death metal Nervosa, manifestou-se de forma clara contra as críticas recorrentes sobre as frequentes alterações na formação do grupo. Em entrevista realizada pela revista Roadie Crew, a musicista brasileira analisou o comportamento de parte do público e explicou a complexidade envolvida na manutenção de uma equipe de trabalho ativa no mercado musical internacional.
A trajetória da Nervosa tem sido marcada por diversas reformulações de integrantes desde sua criação. De acordo com a artista, as decisões administrativas e as saídas de musicistas ocorrem devido a múltiplos fatores cotidianos e profissionais, e não por conflitos de natureza puramente pessoal, como frequentemente é especulado em fóruns e redes sociais.
O estigma da Nervosa e a comparação com Dave Mustaine
Durante a entrevista, Prika Amaral comentou sobre os rótulos associados ao seu nome devido à sua liderança firme no projeto. Ela mencionou que o público costuma compará-la a Dave Mustaine, líder e guitarrista da banda norte-americana de thrash metal Megadeth, conhecido historicamente pelo grande fluxo de músicos que passaram por suas fileiras de gravação e turnês.
“Me chamam de ‘Prika Mustaine‘ e coisas do tipo, mas isso é muito raso”, declarou a musicista na entrevista veiculada pela Roadie Crew. De acordo com a guitarrista, essa associação ignora os processos reais que regem uma organização musical profissional de grande porte. Ela defendeu que os desligamentos e substituições fazem parte de uma dinâmica natural de carreira. “É um trabalho como qualquer outro: ninguém tem o mesmo emprego ou o mesmo parceiro a vida toda, então por que na música seria diferente? Esse estigma de ser sempre a culpada já deu”, acrescentou a líder da Nervosa.
Os desafios de gestão e privacidade na trajetória de Nervosa
A guitarrista e vocalista explicou que as razões para a saída de antigas parceiras de palco envolvem escolhas individuais, questões de saúde e realinhamentos de prioridades pessoais de cada musicista. Ela destacou que, por uma questão de ética profissional, muitos detalhes dos bastidores não são revelados publicamente, com o intuito de preservar a privacidade das ex-integrantes que deixaram o grupo ao longo dos anos de atividade na estrada.
Para a guitarrista, insistir em uma formação instável ou descompromissada apenas para evitar as reações negativas do público seria prejudicial à própria sobrevivência da marca. A musicista ressaltou que a dedicação integral é uma exigência essencial para quem deseja fazer parte de um projeto internacional de alta demanda de viagens e apresentações ao vivo.
“Todo mundo ali abre mão de muita coisa e faz sacrifícios pessoais, então se uma pessoa não entrega o que deve, isso vira desrespeito com as outras. Como somos um grupo, todo mundo precisa estar no mesmo nível de dedicação”, concluiu Prika Amaral na conversa com o jornalista Leandro Coppi.
Consolidação técnica com o lançamento de Slave Machine
Atualmente, a Nervosa foca na divulgação de seu sexto álbum de estúdio, intitulado Slave Machine, lançado oficialmente em todo o mundo na sexta-feira, 3 de abril. O trabalho marca a consolidação da formação atual, que traz Prika Amaral assumindo as funções de guitarra e vocal principal, acompanhada pela guitarrista Helena Kotina, pelas baixistas Hel Pyre e Emmelie Herwegh, e pela baterista Michaela Naydenova.
O disco Slave Machine recebeu elogios em publicações de grande circulação global, como a conceituada revista britânica Metal Hammer, que destacou o aprofundamento de elementos técnicos e a transição da banda para uma sonoridade ainda mais voltada ao death metal moderno. O grupo se prepara para iniciar uma turnê em solo brasileiro nos próximos meses para apresentar o novo repertório ao público nacional.
VEJA TAMBÉM: Mastodon anuncia novo álbum Marrow Deep e lança clipe de Snakes for Dinner



