A banda canadense Rush realizou o segundo show de sua turnê de retorno, intitulada Fifty Something, na noite de terça-feira, 9 de junho. O evento ocorreu no KIA Forum, localizado em Los Angeles, nos Estados Unidos. Diante de uma arena com ingressos esgotados, os membros remanescentes Geddy Lee (vocal e baixo) e Alex Lifeson (guitarra) executaram a suíte de ficção científica “2112” na íntegra. Esta foi a primeira vez que o grupo apresentou a peça de 20 minutos de forma completa em quase três décadas, resgatando seções que não eram tocadas ao vivo desde o fim dos anos 1990.
A execução completa de “2112” não acontecia desde a turnê do álbum Test for Echo, realizada em 1997. Naquela época, o baterista da banda, Neil Peart, falecido em 2020, ainda estava ativo no trio. No show de terça-feira, as seções “Part III: Discovery”, “Part V: Oracle: The Dream” e “Part VI: Soliloquy” fizeram sua estreia ao vivo com a atual formação. As outras partes da suíte, incluindo “Part I: Overture”, “Part II: The Temples of Syrinx” e “Part VII: Grand Finale”, já haviam sido apresentadas na abertura da turnê, ocorrida no domingo, 7 de junho.
Além da suíte conceitual, o setlist do Rush apresentou mudanças estruturais profundas em relação à noite de estreia. A banda introduziu diversas alterações, confirmando a estratégia de realizar um rodízio sistemático de canções ao longo da turnê. Faixas como “The Analog Kid”, do álbum Signals, foi executada pela primeira vez desde 2013. A música instrumental “Leave That Thing Alone” retornou após 15 anos de ausência, enquanto “The Trees”, composição clássica do disco Hemispheres, ressurgiu no setlist pela primeira vez desde 2008.
A nova configuração do Rush com Anika Nilles e Loren Gold
A atual turnê Fifty Something celebra os mais de 50 anos de fundação da banda canadense e representa o retorno de Geddy Lee e Alex Lifeson aos palcos após 11 anos de hiato. Para assumir a bateria na ausência de Neil Peart, os músicos integraram a instrumentista alemã Anika Nilles, que realizou turnês anteriormente com o guitarrista Jeff Beck. O grupo também adicionou o tecladista Loren Gold, conhecido por sua atuação como músico de turnê com as bandas The Who e Chicago. Com essas adições, o Rush se apresenta pela primeira vez no formato de quarteto desde a rápida colaboração com o guitarrista Mitch Bossi em 1972.
Em entrevista concedida à revista britânica Classic Rock, Geddy Lee detalhou os debates internos sobre o uso do nome Rush sem a presença de Neil Peart. De acordo com o baixista, o grupo recebeu o consentimento oficial da família do falecido baterista para prosseguir com a marca histórica. “Quando a banda terminou, nós dissemos que só existiria o Rush se Neil estivesse nele. O que, logicamente, é verdade para o Rush que o público conhece. Mas, ao longo de cinco shows, nós vamos tocar quarenta músicas do Rush. Então, como deveríamos chamar isso? Iron Maiden?”, declarou o músico à publicação.
A estrutura da obra conceitual 2112 nos palcos
O álbum 2112, lançado originalmente em 1976, é considerado um marco na discografia da banda e na história do rock progressivo. A suíte homônima, que preenche todo o lado A do vinil original, narra uma distopia futurista controlada por sacerdotes totalitários, na qual a expressão individual e a música são banidas. A execução completa das sete partes exige alta precisão técnica de toda a banda, o que foi registrado no KIA Forum.
Além da obra de 1976, a segunda noite em Los Angeles contou com canções de destaque como “Tom Sawyer”, “YYZ” e “Subdivisions”. A cantora Aimee Mann participou diretamente do show ao cantar seus trechos originais na música “Time Stand Still”, recriando a colaboração de estúdio de 1987. O show foi encerrado com um bis contendo as clássicas “Finding My Way” e “Working Man”.
O planejamento da turnê Fifty Something e datas no Brasil
Conforme divulgado em comunicados oficiais da banda, a perna sul-americana da turnê Fifty Something ocorrerá no início de 2027. Esta será a primeira passagem do Rush pela América do Sul em 17 anos — a última visita oficial ao continente ocorreu em 2010, durante a turnê Time Machine.
A turnê brasileira do Rush está confirmada com seis apresentações em estádios e arenas de grande porte. A comercialização de ingressos é operada pela plataforma Eventim. As apresentações programadas no Brasil seguirão o seguinte calendário:
- Curitiba: Arena da Baixada, sexta-feira, 22 de janeiro de 2027
- São Paulo: Allianz Parque, domingo, 24 de janeiro de 2027
- São Paulo: Allianz Parque, terça-feira, 26 de janeiro de 2027
- Rio de Janeiro: Estádio Nilton Santos, sábado, 30 de janeiro de 2027
- Belo Horizonte: Estádio Mineirão, segunda-feira, 1 de fevereiro de 2027
- Brasília: Arena BRB Mané Garrincha, quinta-feira, 4 de fevereiro de 2027
Após a passagem pelo território brasileiro, a banda seguirá com apresentações no México e, em seguida, iniciará sua rota pela Europa, encerrando a turnê em abril de 2027.
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