Opeth atinge a marca de 30 anos do lançamento do álbum Morningrise

Segundo disco de estúdio da banda sueca consolidou a fusão de death metal e elementos acústicos progressivos no cenário europeu
Opeth - Morningrise
Opeth - Morningrise. Créditos: Divulgação/Reprodução

O Opeth comemora nesta quarta-feira, 24, o trigésimo aniversário de lançamento de seu segundo disco de estúdio, Morningrise. Disponibilizado originalmente para o mercado europeu em 1996, através da gravadora Candlelight Records, o trabalho ajudou a estabelecer a sonoridade da banda no cenário global do metal. A proposta musical misturava a agressividade típica do death metal com passagens acústicas e estruturas complexas. O registro físico chegou às prateleiras dos Estados Unidos no ano seguinte, em 24 de junho de 1997, sob o selo Century Black, marcando um passo estratégico na expansão internacional do grupo e preparando o terreno para as futuras turnês pelo continente americano.

A gravação de Morningrise no estúdio Unisound

As sessões oficiais de captação de Morningrise ocorreram ao longo dos meses de março e abril de 1996, nas instalações do Unisound Studio, localizado na cidade de Finspång, na Suécia. A produção técnica do material foi assinada em conjunto pelo próprio Opeth e pelo produtor e engenheiro de som Dan Swanö. O profissional já possuía uma relação de trabalho com os músicos, pois havia colaborado no primeiro álbum do grupo, intitulado Orchid (1995).

Durante o período de gravação, os integrantes optaram por uma logística focada e ficaram hospedados na residência da família da namorada do guitarrista Peter Lindgren, conforme documentam os registros históricos da época. A parte visual do disco também foi finalizada no mesmo período; a fotografia da capa frontal foi capturada pela fotógrafa Tuija Lindström, refletindo a estética obscura e melancólica que permeia as composições criadas pela banda.

Estrutura musical inovadora do Opeth

Diferente de muitas bandas atuantes no circuito do metal extremo da década de 1990, o Opeth optou por não seguir a composição focada na repetição de versos e refrãos. Em Morningrise, as músicas foram concebidas para fluir através de mudanças de tempo e progressões melódicas contínuas que exigem atenção do ouvinte. A execução incorpora riffs densos, intercalados pelos vocais guturais entregues por Mikael Åkerfeldt.

O disco apresenta ainda harmonias de guitarras gêmeas e extensos interlúdios de violão clássico. Esta abordagem composicional gerou faixas de longa duração, resultando em um trabalho onde a reprodução completa ultrapassa a marca de 66 minutos, distribuídos em apenas cinco faixas originais. A recepção inicial da mídia especializada apontou que o grupo entregou uma obra imersiva, distanciando-se do death metal tradicional para flertar abertamente com influências da música folk escandinava e do rock progressivo da década de 1970.

Os destaques do tracklist de Morningrise

A audição inicia com “Advent”, uma composição de quase 14 minutos que estabelece de forma imediata a dinâmica de contrastes de volume e peso do álbum. Logo em seguida, a faixa “The Night and the Silent Water” transporta o ouvinte para temas relacionados a luto e perda, atmosferas que são evidenciadas pelas longas e compassadas passagens acústicas inseridas no arranjo central.

O grande marco técnico do disco, no entanto, é “Black Rose Immortal”. Com mais de 20 minutos ininterruptos de execução, a música transita por diversas progressões de acordes sem repetir as estruturas de base. Até a atualidade, esta permanece sendo a faixa mais longa já gravada pelo Opeth em toda a sua discografia. O encerramento da edição padrão original ocorre com a música “To Bid You Farewell”, uma peça de quase onze minutos que se destaca por não conter nenhum tipo de vocal gutural. Nela, o vocalista Mikael Åkerfeldt canta exclusivamente utilizando registros limpos sobre arranjos suaves focados na dinâmica de violões e baixo.

Mudanças de formação e o legado do Opeth

Dentro da cronologia da banda, Morningrise também carrega o fato de representar o encerramento de um ciclo de formação para o Opeth. Este registro entrou para a história como o último lançamento de estúdio da banda a contar com a colaboração da seção rítmica que era formada pelo baterista Anders Nordin e pelo baixista Johan De Farfalla. Após o término da turnê de divulgação deste material pela Europa, ambos os músicos deixaram o grupo.

Tais saídas forçaram mudanças na escalação oficial que gravou o álbum de estúdio seguinte, My Arms, Your Hearse, lançado em 1998. Somado a isso, a parceria de gravação em estúdio com Dan Swanö no papel de produtor principal também foi encerrada com a conclusão deste projeto. Apesar das alterações internas de membros que se seguiram, o disco é frequentemente analisado por publicações especializadas em música extrema. O material permanece posicionado como um pilar no desenvolvimento do subgênero death metal progressivo.

Os múltiplos relançamentos de Morningrise

Devido à sua demanda contínua por parte do público consumidor de metal, Morningrise recebeu vários relançamentos físicos e digitais. No ano de 2000, a gravadora Candlelight Records disponibilizou no mercado uma versão em CD que trazia a faixa bônus “Eternal Soul Torture”, proveniente de fitas de ensaios amadores realizados no ano de 1992. No mesmo ano, a Displeased Records lançou uma edição dupla em vinil que foi limitada a apenas mil cópias para distribuição global.

Outras reprensagens comerciais ocorreram nos anos de 2003 e 2008. Mais recentemente, arquivos sonoros remasterizados nos estúdios da Abbey Road foram lançados em 2023, visando abastecer o mercado colecionador em formatos como o LP em vinil prateado e versões digitais de alta definição.

Confira abaixo o álbum oficial completo no Spotify:

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