Rainbow celebra 50 anos de Rising: o épico que mudou o Heavy Metal para sempre

Obra-prima de Ritchie Blackmore e Ronnie James Dio completa meio século de mística, técnica e inovação no gênero
Capa do álbum Rising do Rainbow
Capa do álbum Rising do Rainbow

Neste domingo, 17, o mundo do Rock e do Heavy Metal celebra o 50º aniversário de Rising, o segundo álbum de estúdio do Rainbow. Lançado originalmente em maio de 1976, o disco não apenas consolidou a carreira solo de Ritchie Blackmore após sua saída definitiva do Deep Purple, como também estabeleceu as bases do que viria a ser o Power Metal e o Metal Épico, impulsionado pela voz inigualável de Ronnie James Dio.

Gravado em apenas dez dias no Musicland Studios, em Munique, o álbum marcou a estreia da formação que muitos fãs consideram a “encarnação definitiva” do grupo: Ritchie Blackmore (guitarra), Ronnie James Dio (vocal), Cozy Powell (bateria), Jimmy Bain (baixo) e Tony Carey (teclados). Sob a produção do lendário Martin Birch, o quinteto lapidou seis faixas que se tornaram imortais na história da música pesada.

A busca pela formação perfeita

Após o lançamento do primeiro disco, Ritchie Blackmore não estava satisfeito. Ele buscava músicos que pudessem acompanhar sua visão técnica e erudita. A demissão de quase toda a banda original (exceto Dio) abriu espaço para a chegada de Cozy Powell, cuja batida era descrita como “trovões controlados”.

A química foi instantânea. Enquanto Blackmore trazia a disciplina neoclássica, Dio fornecia as letras lúdicas sobre magos e dragões. O resultado foi um disco que, apesar de ter apenas 33 minutos, possui uma densidade sonora que poucos álbuns de longa duração conseguiram replicar.

Além do épico: As outras joias do álbum

A abertura com “Tarot Woman” apresenta um sintetizador hipnótico de Tony Carey, que prepara o terreno para o riff cortante de Blackmore. A música define o tom do álbum: mistério aliado ao peso.

Outro destaque é “Starstruck”. Com uma pegada mais voltada ao Hard Rock clássico e um groove contagiante, a letra foi inspirada por uma fã que perseguia Ritchie Blackmore pela Europa. Já “Run with the Wolf” traz uma cadência mais arrastada, destacando o timbre sombrio de Dio.

O grande destaque do álbum, e possivelmente de toda a discografia da banda, é a suíte “Stargazer”. Com a participação da Orquestra Filarmônica de Munique, a música narra a história de um feiticeiro que escraviza pessoas para construir uma torre de pedra para que ele possa voar.

A performance de Cozy Powell na introdução de bateria de “Stargazer” é, até hoje, estudada por músicos de todo o mundo como um exemplo de potência e técnica. A faixa é o ápice da colaboração entre o lirismo épico de Dio e os arranjos grandiosos de Blackmore, criando uma atmosfera de fantasia que definiu o padrão para gerações de bandas de metal sinfônico.

O fechamento com “A Light in the Black” é um exercício de velocidade e virtuosismo. A faixa serve como uma continuação temática para “Stargazer”, mas musicalmente é um duelo épico entre o teclado de Carey e a Fender Stratocaster de Blackmore, antecipando em anos o que o Iron Maiden faria com as “cavalgadas” de baixo e guitarra.

Curiosidades e os “Fantasmas” de Munique

As gravações no Musicland Studios não foram marcadas apenas por música. Ritchie Blackmore, conhecido por seu interesse no ocultismo e por pregar peças pesadas, costumava assustar os outros membros da banda e a equipe técnica. Relatos da época dizem que o guitarrista chegava a organizar sessões espíritas no estúdio para “invocar inspiração”.

A capa do álbum também guarda sua importância. Criada por Ken Kelly, a arte da mão saindo das nuvens e segurando o arco-íris sobre o mar tornou-se uma das imagens mais icônicas da década de 1970. Kelly, que trabalhava sob a mentoria de Frank Frazetta, conseguiu capturar visualmente o som grandioso que o Rainbow havia criado.

Em entrevista à revista Classic Rock, Ronnie James Dio afirmou anos mais tarde: “Nós não estávamos apenas fazendo um álbum, estávamos criando um mundo. Rising foi o momento em que todos nós nos tornamos um só organismo”.

O legado de meio século

Cinco décadas depois, a influência de Rising pode ser ouvida em praticamente qualquer banda que utilize elementos orquestrais, temas fantásticos ou duelos entre teclado e guitarra. Do Metallica (que gravou um medley em homenagem a Dio) ao Blind Guardian, todos bebem da fonte de 1976.

Confira abaixo o álbum completo no Spotify:

Ficha Técnica e Tracklist de Rising:

Lançamento: 17 de maio de 1976

Produtor: Martin Birch Selo: Oyster/Polydor

  1. “Tarot Woman”
  2. “Run with the Wolf”
  3. “Starstruck”
  4. “Do You Close Your Eyes”
  5. “Stargazer”
  6. “A Light in the Black”

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