Rush anunciou no fim da tarde desta quarta-feira, 24, o adiamento de sua apresentação agendada para a mesma noite na Dickies Arena, localizada na cidade de Fort Worth, estado do Texas, nos Estados Unidos. A decisão foi comunicada de última hora aos fãs que aguardavam a abertura dos portões. De acordo com o comunicado oficial emitido pela equipe do grupo e veiculado em suas plataformas digitais, a produção que acompanha a atual turnê sofreu bloqueios não previstos nas barreiras alfandegárias norte-americanas durante o trânsito vindo de suas recentes apresentações na Cidade do México.
Os promotores do evento e os representantes do Rush confirmaram que a gigantesca estrutura de palco e os equipamentos técnicos indispensáveis para a realização do espetáculo não chegaram ao local a tempo da montagem. Conforme a nota publicada no site oficial Rush.com, os atrasos envolveram questões imigratórias e logísticas de controle de fronteira que acabaram impedindo o cronograma de montagem no ginásio texano. A apresentação em Fort Worth foi oficialmente remarcada para a próxima quinta-feira, 2 de julho.
A organização garantiu que todos os ingressos adquiridos para a data original de quarta-feira, 24, permanecem válidos e garantirão o acesso do público na nova data estipulada, sem necessidade de troca prévia nos guichês ou plataformas online. Contudo, para os espectadores que não puderem comparecer ao novo compromisso, a equipe do Rush determinou a abertura de uma janela de reembolso direto nas ticketeiras oficiais, com solicitação disponível imediata. O comunicado oficial pede desculpas pelo transtorno e reitera que os demais compromissos da perna norte-americana seguirão as datas estabelecidas, sem qualquer alteração na agenda.
Rush e a imensa logística da turnê Fifty Something
O bloqueio da produção escancara os desafios operacionais de se transportar uma infraestrutura de grande porte pelas rodovias internacionais. A atual turnê, batizada de Fifty Something Tour, não apenas celebra o imenso catálogo construído ao longo de décadas, mas também carrega uma complexidade cenográfica digna das turnês que o Rush executava no auge de sua carreira comercial. Equipamentos massivos de som, sistemas de iluminação de última geração e as elaboradas estruturas de palco exigem dezenas de caminhões fretados e uma enorme equipe técnica que viaja ininterruptamente de um país a outro.
Esta não é uma turnê qualquer na história do Rush. Trata-se da aguardada volta aos palcos de Geddy Lee e Alex Lifeson após mais de dez anos distantes da estrada. A última empreitada rodoviária da dupla havia sido o derradeiro show da R40 Tour, que se encerrou em agosto de 2015 no Forum, em Los Angeles. Desde então, o futuro da banda foi marcado pelo falecimento de seu histórico baterista e principal letrista, Neil Peart, ocorrido no início de 2020 após uma batalha privada contra um câncer no cérebro.
A decisão de retomar as atividades foi tomada somente em meados de 2025, impulsionada pela vontade de homenagear o legado musical construído pelo power trio. Para o difícil desafio de assumir as baquetas e ocupar o lugar deixado por Neil Peart, a banda recrutou a baterista alemã Anika Nilles, que assumiu os complexos arranjos que pavimentaram álbuns conceituados da discografia do grupo, a exemplo de obras antológicas como Moving Pictures, Hemispheres e Permanent Waves.
O impacto na agenda e os próximos passos do Rush
Apesar do contratempo documentado na alfândega texana que paralisou a logística nesta quarta-feira, 24, a Fifty Something Tour tem demonstrado uma procura massiva e números consistentes nas bilheterias. Inicialmente anunciada como uma série de shows restritos a poucos mercados da América do Norte, a demanda foi tamanha que a equipe do Rush expandiu significativamente a agenda. A primeira leva de 22 datas se esgotou rapidamente, resultando em sucessivas adições que elevaram o cronograma atual para um total de 58 concertos divididos por mais de vinte cidades.
As exibições atuais contam com vastas seleções do catálogo, englobando desde os épicos progressivos longos da fase setentista do grupo até faixas famosas e diretas da era oitentista de sintetizadores, consolidada em registros como Grace Under Pressure e Power Windows. Durante os sets habituais, o público tem ouvido a execução primorosa de faixas complexas como “YYZ”, os clássicos vocais de “Tom Sawyer” e a densidade instrumental de clássicos eternizados, que reconfiguraram as expectativas dos amantes do rock na época de seus respectivos lançamentos originais.
Para o ano que vem, a banda liderada por Geddy Lee e Alex Lifeson tem planos ainda mais grandiosos elaborados na prancheta. Em fevereiro, o Rush emitiu comunicados formais à imprensa detalhando que a turnê será prolongada até o primeiro semestre de 2027. Essas datas cobrirão longos roteiros pela Europa continental, pelo Reino Unido e também selarão um histórico retorno do Rush à América do Sul. O continente sul-americano estava ausente na rota da banda há dezessete anos e já figura entre as etapas prioritárias deste extenso roteiro de despedidas e homenagens, demonstrando que o imprevisto alfandegário nos Estados Unidos se configurou apenas como um pequeno e pontual entrave na gigantesca máquina de shows da banda canadense.
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